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Feliz quem sabe.



Escrever da inconstância das coisas perante a vida sempre causou-me um lapso paradoxal, dito que, os momentos em que fiquei nessas ideias causou grande aborrecimento, porém que me satisfez. Não quero causar grande monotonia, o mais enfático para mim é falar de si, falar de outros causa sensaboria pois o que é entendido, é entendido individualmente, acredito nisso. Acreditar faz bem, pois não existe um meio em que sem a fé exista entendimento, e perante todas essas coisas como disse, inconstantes, isso ajuda. E digo mais; recomendo ter a expressão, talvez de um poeta, de estar em uma lacuna entre o mundo e o desconhecido, vivendo e preenchendo-se, pode parecer meio arriscado de viver mas tenha a certeza que nos torna mais constantes felizes.


Inspiração do texto:
Portanto está entendido quando Mário Quintana disse em Carta: "[...] Quanto mais individual, mais universal..."
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O Importante é escrever...


 O importante é escrever. Quem escreve é levado a isolar-se da agitação, a pensar, a refletir. Aí está o mérito da redação. Quem escreve concentra-se, analisa, raciocina, critica, apresenta soluções próprias. Quem escreve dá valor a si mesmo, aprende a ver em profundidade, descobre o mérito relativo das coisas e põe às claras os enganos e os sofismas dos que nos pretendem ludibriar.

 Escrever é o mais adequado meio para a formação de nossa personalidade, como seres livres, independentes, realizados intimamente. Escrever é lutar contra os que nos impigem ideias prontas, frases feitas para substituir nossos pensamentos e nossa linguagem. Pensemos nisso. Dediquemo-nos à redação, principalmente por esses motivos. A redação faz-nos meditar sobre a vida, sobre os homens e sobre nós mesmos. Leva-nos a ser mais humanos, a amar nosso semelhante, a respeitá-lo, a comunicar-nos com ele mais frequentemente. 

(in RIBEIRO, Manoel Pinto. Gramática aplicada da Língua Portuguesa. Ed. Metáfora, 2003.)
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Evocação do Recife - Poema


Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
— Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!


A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão


(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente
nos longos da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.


Rua da União...
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
— Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras


Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começou
a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
— Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.
Manuel Bandeira

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Status: Estudando

Preparando-se para EPCAr e CN. 



Espero ter tempo para entrar um pouco aqui...


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Imaginário

Eu sigo em frente e bem devagar, num mundo lindo e inexplorado debaixo de mim, flutuo silenciosamente, e o som da minha respiração que abre o silêncio, acima de mim nada além da luz tremula, que é do lugar de onde vim, e é pra lá que voltarei depois, estou mergulhando, eu sou um mergulhador, vou mais fundo, vejo pedras rochosas e águas escuras, na imensidão azul uma cardume de peixes prateado aguarda, e quando estou nadando bolhas saem de mim como se fosse águas vivas, verifico o oxigênio, não tenho tempo que preciso para apreciar tudo... mas é isso que torna a experiência especial. 


Infelizmente esse texto não é meu. Ele eu tirei do filme Ponte para Terabithia. E eu amo essas palavras!
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